Top 10 mitumba import sources

(extraído de: https://www.the-star.co.ke/news/infographics/2025-02-24-top-10-mitumba-import-sources)

“According to a recent report by the Observatory of Economic Complexity, Kenya had an average annual import bill of $203 million (Sh26.3 billion) in 2022 for second-hand clothes, the biggest in Africa.

Economics

It was followed by Ghana at $165.4 million (Sh21.4 billion), Tanzania $150 million (Sh19.4 billion), Angola $120 million (Sh15.5 billion), Nigeria $95 million (Sh12.3 billion) and Cameroon $94 million (Sh12.2 billion). China is Kenya’s top import source for mitumba, according to the United Nations, followed by Pakistan, Canada, the UK, the US, Poland, UAE, Germany and India, with the Republic of Korea closing the top 10 list. In 2016, the presidents of Burundi, Kenya, Rwanda, Tanzania and Uganda resolved to ban the import of mitumba from 2019 to develop their domestic industries.”

Esta notícia revela um aspeto muito importante do mercado mundial da roupa em segunda mão (mitumba) e ajuda a perceber porque é que países como o Gana e o Quénia enfrentam tantos desafios relacionados com os resíduos têxteis.

O que significa cada parte?

1. O Quénia importou 203 milhões de dólares em roupa usada em 2022

“Kenya had an average annual import bill of $203 million…”

Isto significa que, em 2022, o Quénia comprou cerca de 203 milhões de dólares (aproximadamente 26,3 mil milhões de xelins quenianos) em roupa usada proveniente de outros países.

É o maior importador de roupa usada de África.

Depois aparecem outros países:

  • 🇰🇪 Quénia – 203 M$
  • 🇬🇭 Gana – 165,4 M$
  • 🇹🇿 Tanzânia – 150 M$
  • 🇦🇴 Angola – 120 M$
  • 🇳🇬 Nigéria – 95 M$
  • 🇨🇲 Camarões – 94 M$

Isto demonstra que existe um enorme comércio internacional de vestuário usado para África.

2. O que é “Mitumba”?

“Mitumba” é a palavra usada na África Oriental (especialmente no Quénia e Tanzânia) para designar:

  • roupa usada
  • roupa de segunda mão
  • roupa proveniente de doações ou excedentes

Grande parte desta roupa chega em fardos comprimidos.

Os comerciantes compram os fardos sem saber exatamente o conteúdo.

3. De onde vem esta roupa?

Segundo a notícia:

  1. China
  2. Paquistão
  3. Canadá
  4. Reino Unido
  5. Estados Unidos
  6. Polónia
  7. Emirados Árabes Unidos
  8. Alemanha
  9. Índia
  10. Coreia do Sul

Isto pode surpreender porque normalmente associa-se a roupa usada apenas à Europa ou aos EUA.

Na realidade, muitos destes países funcionam como:

  • centros de recolha,
  • triagem,
  • reexportação,
  • ou países produtores de excedentes têxteis.

A China aparece em primeiro lugar porque também exporta grandes quantidades de excedentes da sua própria indústria têxtil e atua como plataforma de redistribuição.

4. Porque é que os países africanos compram tanta roupa usada?

Há várias razões:

É muito barata

Uma peça usada pode custar apenas alguns cêntimos ao importador.

Depois é revendida nos mercados locais.

Muitas pessoas não conseguem comprar roupa nova

Em muitos países africanos, a roupa usada é a opção economicamente mais acessível.

Existe uma enorme procura

Mercados inteiros vivem deste comércio.

Milhares de famílias dependem dele para trabalhar.

5. Mas onde está o problema?

Aqui está a parte mais importante.

Nem toda a roupa importada pode ser vendida.

Estudos mostram que uma parte significativa chega:

  • rasgada;
  • manchada;
  • demasiado gasta;
  • inadequada ao clima;
  • sem qualquer valor comercial.

Essa roupa transforma-se imediatamente em resíduo.

É exatamente isto que acontece em locais como:

  • Kantamanto Market (Acra, Gana)
  • Dandora (Quénia)

Os resíduos acabam:

  • em lixeiras,
  • rios,
  • praias,
  • ou são queimados.

6. Porque quiseram proibir a importação?

Em 2016, os presidentes de:

  • Burundi
  • Quénia
  • Ruanda
  • Tanzânia
  • Uganda

Decidiram que queriam proibir a importação de mitumba a partir de 2019.

O objetivo era desenvolver a indústria têxtil local.

A ideia era simples:

Em vez de comprar roupa usada estrangeira,

➡ produzir roupa local;

➡ criar empregos;

➡ fortalecer as fábricas nacionais;

➡ reduzir a dependência das importações.

7. Porque é que essa proibição acabou por não avançar totalmente?

Porque existiam vários obstáculos:

Pressão internacional

Os Estados Unidos opuseram-se fortemente à medida, uma vez que exportam grandes quantidades de roupa usada para estes mercados.

Impacto económico

Milhares de comerciantes vivem da venda de mitumba.

Uma proibição imediata poderia destruir muitos pequenos negócios.

A indústria local ainda não estava preparada

As fábricas nacionais não conseguiam produzir roupa suficiente nem a preços competitivos para substituir rapidamente as importações.

O que esta notícia significa para a IAW?

Esta informação reforça a importância do trabalho da I AM WORLD.

O foco da IAW não é impedir que a roupa usada seja reutilizada, mas intervir na fração que já não tem valor comercial. Quando a roupa chega ao fim do seu ciclo de vida e se transforma em resíduo, pode ser desviada dos aterros e do ambiente para ser transformada em novos materiais, como o enchimento SOMA, dando origem a produtos de eco-decoração e mobiliário sustentável.

Esta notícia também mostra uma distinção importante:

  • Mitumba = roupa usada destinada à revenda (ainda tem potencial de reutilização).
  • Resíduo têxtil = roupa que já não pode ser usada nem vendida.

É precisamente nesta segunda categoria que projetos como a IAW podem gerar maior impacto ambiental, económico e social, integrando esses materiais numa verdadeira economia circular.

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