
Extraído do site: https://oec.world/en/profile/bilateral-product/used-clothing/reporter/usa
Esta página do Observatory of Economic Complexity (OEC) mostra os fluxos comerciais de roupa usada (HS 6309) relativos aos Estados Unidos, permitindo perceber como funciona o mercado mundial da mitumba. É uma excelente fonte para compreender a dimensão económica deste setor.
Vamos analisar cada indicador.
1. O que significa “Used Clothing in United States US”
Este perfil refere-se ao código aduaneiro:
HS 6309 – Worn Clothing and Other Worn Articles
Ou seja:
- roupa usada;
- calçado usado;
- têxteis usados destinados à reutilização.
Não inclui resíduos têxteis para reciclagem industrial. Refere-se a roupa comercializada para voltar a ser usada.
2. Exports – 960 milhões de dólares
Este é provavelmente o dado mais importante.
Exports: $960M
Significa que, entre maio de 2025 e abril de 2026, os Estados Unidos exportaram cerca de 960 milhões de dólares em roupa usada.
Isto representa praticamente 1 bilião de dólares num único ano.
É um mercado gigantesco.
3. Share of US in Global Exports – 17,2%
Este dado é ainda mais impressionante.
Os EUA representam:
17,2% das exportações mundiais de roupa usada, ou seja, quase 1 em cada 5 peças de roupa usada exportadas no mundo parte dos Estados Unidos.
É por isso que os EUA aparecem frequentemente associados ao comércio de mitumba.
4. Top Destination – Guatemala
A principal compradora da roupa usada americana é:
Guatemala
Valor:
186 milhões de dólares
Muita desta roupa:
- é consumida localmente;
- é reexportada;
- é novamente triada.
Nem toda segue diretamente para África.
Existe uma enorme rede internacional de redistribuição.
5. Fastest Growing Market – Índia
Este indicador significa: o país que mais aumentou as compras de roupa usada americana.
Foi:
Índia
Aumento:
+61,9 milhões de dólares
Isto pode dever-se a:
- reciclagem têxtil;
- reaproveitamento industrial;
- triagem;
- revenda.
A Índia é um dos maiores centros mundiais de reciclagem de têxteis.
6. Imports – 29,2 milhões
Embora os EUA exportem muito, também importam roupa usada.
Valor:
29,2 milhões, ou seja, também recebem roupa usada de outros países.
7. Top Origin – Paquistão
O principal fornecedor dos EUA é:
Paquistão
11,2 milhões.
Porquê?
Porque o Paquistão:
- faz triagem;
- recondiciona;
- exporta roupa usada;
- possui uma grande indústria têxtil.
8. Fastest Growing Origin – México
O México foi o país que mais aumentou as exportações de roupa usada para os EUA.
9. ECI of United States – 1.58
ECI significa:
Economic Complexity Index
É um indicador criado por Harvard que mede a sofisticação económica de um país.
Quanto maior:
- maior conhecimento industrial;
- maior capacidade tecnológica;
- maior diversidade produtiva.
Os EUA aparecem em:
8.º lugar mundial
10. Product Complexity – -0.23
Este indicador mede a complexidade do produto.
Roupa usada tem:
-0,23
Porque é um produto muito simples.
Não necessita de:
- elevada tecnologia;
- engenharia;
- fabrico complexo.
É um produto de baixo valor acrescentado.
O que esta página nos mostra sobre o mercado mundial?
Podemos imaginar o percurso da roupa como uma cadeia:
Consumidores americanos
↓
Doações
↓
Empresas de triagem
↓
Exportação
↓
Guatemala
Índia
África
América Latina
↓
Nova triagem
↓
Mercados Mitumba
↓
Consumidor final
↓
Resíduo têxtil
Onde entra o Gana?
Embora nesta página a Guatemala apareça como principal destino das exportações dos EUA, isso não significa que o Gana deixe de ser um dos maiores mercados mundiais de mitumba.
Isto acontece porque:
- o Gana importa roupa de muitos países (Reino Unido, Alemanha, Países Baixos, Canadá, China, entre outros);
- parte da roupa exportada pelos EUA pode chegar ao Gana indiretamente, passando primeiro por centros de triagem ou redistribuição noutros países;
- a página do OEC mostra apenas os fluxos comerciais diretos dos EUA.
Porque é que esta informação é muito importante para a IAW?
Esta página ajuda a demonstrar que a problemática não é apenas ambiental, mas também económica e logística. O comércio internacional de roupa usada movimenta centenas de milhões de dólares e envolve uma cadeia global de recolha, triagem, transporte e revenda.
Para a IAW, este tipo de dados permite explicar claramente a diferença entre duas realidades:
- A roupa usada (mitumba) continua a ser um recurso económico enquanto pode ser reutilizada e vendida.
- O resíduo têxtil surge quando uma parte dessa roupa já não tem qualquer valor comercial. É essa fração que acaba frequentemente em aterros, praias, rios ou é queimada.
É precisamente nessa fase final que a IAW atua, transformando o resíduo têxtil em matéria-prima (SOMA) para novos produtos, evitando que materiais sem valor comercial se tornem um problema ambiental e prolongando o seu ciclo de vida dentro de uma lógica de economia circular.
